Como enfrentar “fake news” encerra Diálogos ARI

Do Coletiva.net

O último painel deste sábado, 26, abordou o tema ‘O jornalista nas redes, fake news e eleições 2018’ e contou com a participação da jornalista e idealizadora do projeto Filtro Fact Checking, Tais Seibt, e do advogado Marco Antônio Campos, mediados pelo jornalista Nilson Souza. O assunto escolhido foi apresentado em função da sua atualidade e das diversas discussões acerca dos problemas já causados pela prática de produção e compartilhamento de notícias falsas.

Tais iniciou sua fala apresentando um panorama sobre a origem e o conceito de fake news e também a metodologia de checagem. Segundo ela, esse tipo de matérias não deveriam ser denominadas desta forma, pois o fato de serem notícias não permitiriam que não fossem verdadeiras. “O mais correto seria chamarmos de conteúdos fraudulentos, pois tem o objetivo de prejudicar alguém”, ponderou. A jornalista citou o recente caso da vereadora Marielle Franco, que foi amplamente difamada nas redes após seu homicídio.

Marco Antônio Campos, que trabalhou no Grupo RBS e esteve recentemente em Nova Iorque, acompanhando um evento sobre o tema, afirmou que este é um tema que crescerá neste ano e nos próximos em larga escala. Para ele, o cenário deixa o Direito “absolutamente desconcertado, pois é conservador e estático, mas o mundo tecnológico traz novidades o tempo todo, e isso tira o Direito da sua zona de conforto”.

Provocada pelo público a detalhar o processo de checagem das fake news, Tais enfatizou que esta nada mais é do que recuperar o método de apuração e a disciplina de verificação, premissas do Jornalismo. “Se não fosse isso, já teriam inventado um algoritmo a fazer o trabalho de forma automática”, comparou. A painelista ressaltou ainda: “Nem fake news, nem fact checking tem esquerda ou direita, o nosso lado é o Jornalismo”.

Marco Antônio ainda abordou que, em ano de Eleições é ainda mais necessário ficar atento à prática, pois será o primeiro pleito com este nível de desenvolvimento das mídias digitais. “E tenho certeza que o grande caso debatido será a justiça eleitoral versus as fake news”, alertou. Ele ainda garantiu que o ato de produzir e compartilhar notícias falsas é passível de punição, sim, quando enquadrada em calúnia, injúria ou difamação.

Com um trabalho planejado para iniciar as atividade da agência Filtro nas Eleições de 2018, Tais esclareceu que o seu foco será nos discursos dos proponentes. “É importante que se explique que eu não vou checar o que a imprensa diz, não somos fiscais dos colegas. O nosso objetivo de checagem é a declaração pública, ou seja, o que disse o candidato. Afinal, estas agências estão a favor da democracia e jamais colaborando com a censura”.

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