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11 de Novembro de 2009
Para lavar a alma
Autor: Antonio de Oliveira - antonioliveira44@yahoo.com.br

Nas conversas que tinha por aí com os estudantes de jornalismo, sempre que era chamado por algum amigo professor para falar sobre a profissão, eu sempre dizia que os jornalistas gaúchos tinham duas grandes dívidas para com a sociedade. A primeira, contar a história do sequestro dos uruguaios Lílian e Universindo Diaz, o que foi magistralmente realizado pelo Luiz Cláudio Fontoura da Cunha, em livro lançado na Feira do Livro do ano passado. A segunda, fico sabendo na Feira do Livro deste ano, será paga em breve. A história da cooperativa e do veículo Coojornal será contada em minúcias, por texto, vídeo e exposição fotográfica para todo o Brasil. Projeto iniciado pelo ex-presidente Osmar Trindade pouco antes de vir a falecer, não poderia estar em mãos melhores que as de Rafael Guimaraens e Clô Barcelllos, da Libretos, e sob o olhar e acompanhamento atentos de Ayrton Centeno. Para completar, a contribuição de José Antonio Vieira da Cunha (primeiro presidente), Elmar Bones da Costa, Rosvita Saueressig, Jorge Polydoro, Afonso Ritter, Danilo Ucha, e tantos outros conselheiros, editores, repórteres e trabalhadores será importante. Temos que ouvir a todos os envolvidos. Até para fazer desaguar ressentimentos

Mas eu fico feliz não só por estarmos pagando esta dívida, mas por poder ver esclarecidos definitivamente alguns aspectos e episódios que envolveram a criação e a vida da Coojornal, projeto que classifico como um ato de coragem de um grupo de jornalistas, durante a ditadura militar, do qual tive a honra de participar.

Serão documentos importantes para calar setores reacionários do jornalismo gaúcho, que até hoje mostram as unhas e rangem os dentes quando se fala em Coojornal, mesmo sem nunca terem participado do projeto e nem passado por perto da sua sede. Mas metem-se a fazer comentários desabonatórios a pessoas que atuaram. Se perguntarmos onde estavam enquanto um grupo de jornalistas dava a cara para bater, certamente terão vergonha de responder. Muitos estavam aproveitando as benesses da ditadura, atuando em três, quatro empregos, onde só passavam no fim do mês para pegar o contra-cheque, ou nem isso, ou apanhar os releases no fim de tarde para levar até a redação.

Serão documentos para lavar a alma.

Antonio de Oliveira é jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Rio Grande do Sul.


 
   

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